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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Viver nos Subúrbios de Paris


"People are burning cars in my street"



Marion Guillon, 16 anos, vive no "Val d'oise" 95, nos subúrbios do norte de Paris, perto do "Villier le Bel", cenário dos confrontos desta semana entre jovens e forças policiais.



Vive a menos de dez minutos a pé do local onde ocorreu o acidente que vitimou os dois jovens parienses no passado domingo. Marion dá a sua opinião sobre o que aconteceu:

"Two boys who were 15 years old were driving a «motocross».Someone called the police cause they were causing problems for other cars. Police came and i dont know what really happened...you know lots of different versions... the only thing we know is that, at the end, the police car was just in front of the two young guys and she didn't stop."



Os dois rapazes, Moushin e Larami, acabaram por morrer. Segundo Marion explica, "...the cops just called 911 and then left because they were scared." A morte dos dois jovens emigrantes (Moushin, de Marrocos e Larami, do Senegal) deu origem a confrontos entre a polícia e os moradores do subúrbio localizado no norte de Paris.



A jovem francesa, quando questionada sobre se concorda ou não com as manifestações dos moradores do subúrbio de Villiers-le-Bel, refere "i don't agree with what people are doing on the streets, of course not. Violence is so not an answer!" Mesmo assim, Marion Guillon acredita que os moradores têm razão em protestar:"But of course, they are right to protest. You can't just lie and say: that's not right and, after that, shut up."

Interrogada sobre quais seriam, então, as razões que levariam aos tumultos que têm ocorrido nos subúrbios da capital francesa, a estudante diz que "where i live people only know the violence. And those things [referindo-se à violência que assolou Paris há alguns meses] happened a year ago, i believe, and it worked. Everybody was talking about the situation in the suburbs, which are ghettos." Marion pensa que, tendo em conta que os distúrbios passados colocaram toda a França a falar da situação dos subúrbios, os moradores decidiram voltar a fazer o mesmo, para chamar, de novo, a atenção dos franceses para os problemas dos «ghettos»:" They are doing that thinking: hey it works, see? But when a city does that, the city next to this city do more. Then the other one... it doesn't make sense anymore and it becomes huge!"


No entanto, Marion revela que, apesar do clima de tensão que se sente no sítio onde mora, sente-se assustada, mas não mais do que sempre se sentiu:"When you come back from school and everybody's looking at each other in a weird way and you feel in the air that something's not right you kind of start to be scared. You don't feel safe but it's the way i live, you know? That's just normal when you're in the street where i live, at least!" Mesmo assim, refere que nunca teve qualquer tipo de problemas com ninguém no local onde mora: "I live here for 16 years and i never had any problems!"


Segundo Marion, os tumultos nos arredores de Paris têm como explicação a descriminação a que são votadas as pessoas que lá moram, sobretudo emigrantes: "It's just descrimination. For black people, for example, it's more complicated to find a job. When you live here it's more complicated to find a good school for your children". Para além disso, a jovem diz que "violence is everywhere. Police isn't fair at all. that's why people are protesting for, here!"


No decorrer desta entrevista, Sarcozy, Primeiro-Ministro francês, disse, num discurso, que os tumultos nos subúrbios eram actos de vandalismo e não resultado de uma crise social. Marion Guillon não acredita totalmente nisso: "Of course it is a crisis. It's still vandalism, because they are burning schools. They shouldn't...but that's the only thing they know,again.(...)Well...it's complicated, but if you live in a city that doesn't have that much money, you'll have a university that sucks (...) people won't have 3000 euros to pay and if they don't have education, what jobs will they find?In Villier-Le-Bel 40% of the people do not work! See? It's a crisis!"


A jovem parisiente acredita que, para resolver uma parte do problema é necessário que algumas medidas sejam adoptadas para atenuar as dificuldades dos moradores dos súburbios franceses:"What we need is police who is fair. We need help for the people who want to go to school.We need more teachers."


Daniela Espírito Santo

Mónica Moreira:"Em 6 anos de CC já vi acontecer de tudo um pouco"


Mónica Moreira produz actualmente o programa "Curto Circuito", da SIC Radical. Segundo a jornalista, trabalhar no Curto Circuito tem bastantes atractivos, entre eles "O contacto com as pessoas, pensar no que o público do programa gosta e tentar agradar a todos. Sempre me atraiu trabalhar numa área ligada à música e o CC também me proporciona isso."

Para Mónica Moreira, o Curto Circuito destaca-se dos outros programas por várias razões, mas marca a diferença "...por existir há muitos anos, por já se ter feito e falado de tudo um pouco, ter tido todo o tipo de convidados e ser sempre em directo."

Produzir um programa que está a ser transmitido em directo é, segundo Mónica Moreira, um desafio aliciante, pois "...implica muita concentração e a capacidade de gerir vários factores e conteúdos ao mesmo tempo."

Mónica Moreira diz que, em 6 anos de programa, já viu acontecer de tudo, desde problemas técnicos, convidados que não aparecem, apresentadores doentes e até discussões à porta do estúdio: "Um dos episódios mais recentes foi o caso de uns convidados que não conseguiam decidir entre eles quem dava a entrevista no programa e começaram a discutir à porta do estúdio. Pensei que chegavam a vias de facto, mas no final, correu tudo bem!"

Mónica Moreira:"Faltam-me entrevistar muito poucas pessoas de quem realmente goste!"


Nome Completo: Mónica Perdiz de Melo Moreira
Idade: 29 anos

Curso: Licenciatura em Ciências da Comunicação pela Universidade do Algarve

Profissão: Produtora de TV / Jornalista




Mónica Moreira, em 6 anos de trabalho, já entrevistou quase todas as pessoas que queria entrevistar. Iron Maiden, System of a Down, Dream Theater e Megadeth, são apenas algumas das bandas com quem já falou. Para além destes, Mónica Moreira refere que gostou de conhecer "... o Joe Jackson (que foi a minha primeira entrevista para televisão) e o Jared Leto (a minha primeira entrevista fora de Portugal)".

Mónica Moreira trabalha na Sigma 3 desde 2001, em programas como o Curto Circuito, CC Manhãs, CC Zona de Jogos, Hypertensão, Megaphone ou Conversas Ribeirinhas. Durante estes 6 anos de trabalho, Mónica já fez de tudo um pouco: "Produzi programas (gravados e em directo), coordenei emissões, fiz reportagens, entrevistas e por brincadeira até já apresentei um Curto Circuito com António Freitas!"

Perguntamos a Mónica Moreira o que a levou a escolher Jornalismo: "Comecei a estudar Jornalismo no 10º ano, no Curso Tecnológico de Comunicação. Portanto, desde os 14 anos que sabia que queria ser jornalista." A produção, explica, "...só apareceu muito mais tarde, já depois de ter terminado o estágio final do curso universitário."

Entre as pessoas com quem já trabalhou, Mónica destaca Pedro Ribeiro, por ser "...um grande apresentador com quem se pode contar naqueles programas onde tudo pode acontecer" e António Freitas, que considera um grande profissional e apelida de "o guru do Metal".

Quando interrogada sobre o que lhe falta atingir, a produtora do programa "Curto Circuito" revela que ainda lhe falta fazer uma "grande reportagem" e, na área da produção,"...um programa idealizado e produzido por mim".